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Qual a diferença entre dor de cabeça e enxaqueca?

Revisado por: Dr. Paolo Rubez CRM/SP: 124773 - 9 de janeiro de 2020

Qual a diferença entre dor de cabeça e enxaqueca?

A cefaleia, conhecida popularmente como dor de cabeça é um quadro incômodo e que afeta 2% da população mundial. Apesar de comum, a condição é frequentemente confundida com a enxaqueca.

Por mais que pareça “tudo a mesma coisa”, a dor de cabeça e a enxaqueca são condições clínicas distintas e apresentam diferenças quanto aos sintomas, frequência do quadro e indicações de tratamento. Saiba mais a seguir!

O que é dor de cabeça?

A dor de cabeça é uma condição comum que pode manifestar-se em diferentes intensidades e características afetando toda a região encefálica. A doença pode ser dividida em duas classes:

  • Cefaleia primária: ocorre quando a dor de cabeça não tem uma causa aparente, sendo que o problema é a dor em si;
  • Cefaleia secundária: casos nos quais a dor na cabeça está associada a alguma alteração clínica, como gripe, sinusite, meningite, ou um tumor, por exemplo. Assim, tratando a causa também é possível amenizar a dor de cabeça.

Além dessa classificação, existem mais de 150 tipos de cefaleia. No entanto, algumas das patologias são mais conhecidas, como:

  • Cefaleia tensional: pode ser aguda ou crônica e ocorre devido à tensão prolongada da musculatura cervical e próxima ao crânio, como quando a dor surge após um dia de trabalho. Essa dor manifesta-se como um peso ou aperto, em toda a cabeça e em intensidade leve ou moderada;
  • Cefaleia em salvas: manifesta-se como uma dor intensa e pulsátil de um lado da cabeça, na região têmporo-frontal, na face e na órbita, ou no fundo de um dos olhos. Estima-se que ela esteja associada à apneia e pode ocorrer crises esporádicas.

A dor de cabeça surge, em geral, sem nenhuma motivação significativa ou em decorrência de situações estressantes, alterações hormonais, má alimentação ou fome, cansaço ou privação de sono.

A forma como a dor de cabeça manifesta-se também é particular, podendo afetar qualquer região da cabeça.

O que é enxaqueca?

A enxaqueca, ou migrânea, consiste em um tipo de cefaleia primária, quando a dor é o aspecto mais preocupante causado pela condição. Ela causa dor intensa e geralmente pulsante, concentrada em um dos lados da cabeça, mas também pode ser bilateral.

Uma das principais diferenças entre a dor de cabeça e a enxaqueca, além da intensidade dos sintomas, é que a condição pode incapacitar o paciente, prejudicando o desempenho das atividades diárias dele.

Não se sabe ao certo o que causa as crises de enxaqueca, mas estima-se que elas sejam influenciadas por questões genéticas. Trata-se da liberação de substâncias inflamatórias devido as alterações nas células nervosas que comprimem os ramos dos nervos trigêmeo ou occipital, causando a dor.

Existem diferentes gatilhos externos que podem provocar as crises de migrânea, como estresse, jejum, mudanças no horário do sono, luzes intensas, esforço físico, abuso de medicamentos e outros. Esses aspectos podem mudar de acordo com a predisposição individual.

Além disso, alguns pacientes com quadros graves de enxaqueca podem relatar sintomas secundários que podem incluir:

  • Náuseas e vômitos;
  • Bocejos constantes;
  • Irritabilidade;
  • Sensibilidade à luz;
  • Sensibilidade ao som;
  • Sensibilidade aos movimentos físicos e do entorno;
  • Tontura;
  • Fadiga;
  • Alterações no apetite;
  • Dificuldade de concentração.

Considera-se um quadro de enxaqueca crônica quando o paciente apresenta cefaleia em 15 ou mais dias do mês, sendo metade deles com crises típicas de enxaqueca, por mais de três meses em uma situação na qual não há abuso de medicamentos.

Destaca-se que o vício em medicamentos, assim como a perda de efeitos dos remédios são fatores complicadores da enxaqueca, pois o paciente faz a automedicação que pode intensificar as crises e prejudicar o tratamento posteriormente.

Quais os tratamentos disponíveis para cefaleia?

Os tratamentos para dor de cabeça, quando a frequência entre as crises é menor, pode ser o uso de analgésicos para controle da dor.

Também podem ser recomendados medicamentos para desintoxicação no caso de abuso de remédios para dor ou opções profiláticas para reduzir a frequência e intensidade das crises.

O tratamento de enxaqueca, principalmente do quadro crônico, é mais complexo e exige uma abordagem interdisciplinar com atenção à alimentação, medicamentos ingeridos e mudanças de hábito para evitar situações que desencadeiam as crises.

Alguns casos de enxaqueca crônica podem ser tratados com o uso do Botox®. Nesse caso, a aplicação da toxina botulínica atua como um bloqueador neuromuscular para impedir os estímulos neurais nos músculos que causam a contração e consequentemente a dor.

Uma vez que as crises de enxaqueca são desencadeadas pela compressão dos ramos do nervo trigêmeo ou occipital, o uso da substância promove um relaxamento que impede essa ocorrência.

Atualmente, os pacientes diagnosticados com enxaqueca têm outra opção de tratamento definitivo, as cirurgias para migrânea.

O procedimento cirúrgico pode ser executado com diferentes técnicas de acordo com o local de início das crises de enxaqueca. O objetivo da intervenção cirúrgica é descomprimir e liberar os ramos do nervo trigêmeo, que são irritados pelas estruturas adjacentes ao longo do trajeto.

A cirurgia para migrânea pode ser realizada por um cirurgião plástico em ambiente hospitalar e utilizando anestesia geral ou local com sedação. O procedimento tem duração entre 1 e 2 horas e o prognóstico é, majoritariamente, positivo, com o paciente não apresentando mais crises de enxaqueca.

A correta distinção entre dor de cabeça e enxaqueca deve ser realizada por um neurologista, após avaliação do quadro do paciente e levantamento do histórico clínico. Caso sinta dores recorrentes, procure um especialista e não faça automedicação.

 

 

Fonte:

Sociedade Brasileira de Cefaleia;

Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca (ABRACES).